segunda-feira, 21 de maio de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o actor de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são as duas coisas que nos governam.Oscar Wilde, in O Retrato de Dorian Gray
terça-feira, 10 de abril de 2012
Há uma mulher a morrer sentada Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara
Para cantar
Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro
Ela é tão bonita ao relento
Inesgotável
É tão leve como um cisne em pensamento
E está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo
Sei que não posso chamá-la das margens
Daniel Faria, in Dos Líquidos
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Toda a terra tem pólen. Flor de laranjeira, flor de limoeiro. A água silencia os corvos por breves dias e breves noites. Toda a terra cheira a vida e a morte. A terra não conhece a diferença, na terra os sons alternam-se com o silêncio, o movimento com a quietude, a água com o deserto. A chuva lava e hoje à tarde houve um concerto de pássaros, pareciam violinos ou os violinos são pássaros nas tardes sombrias de água. Ouço todo este silêncio perfumado e sinto em mim esta gratidão que tudo perdoa, como um sorriso imenso de reconciliação com a vida e a morte, a morte e a vida, o cheiro doce a cadáveres frescos e flores de citrinos da terra.
Onde morre o animal, nasce a árvore. Onde morre a árvore, nasce a chuva. Onde morre a respiração, nasce o sol. Num ciclo sem fim.
quinta-feira, 22 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
folhas soltas
cinco mais
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